A Indústria Moveleira

Segundo a ABIMÓVEL (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário), o setor moveleiro brasileiro é composto por, aproximadamente, 19 mil empresas, das quais 80% concentram-se nas regiões Sul e Sudeste, sendo São Paulo o maior estado, seguido de Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina. O Brasil detém 3,7% da produção mundial com um total de 511,8 milhões de peças produzidas e R$ 42,9 bilhões produzidos em 2013, o que representa 1,9% do valor total da receita líquida da indústria de transformação nacional.

Estima-se que a indústria moveleira no Brasil empregue diretamente e indiretamente 328,6 mil trabalhadores na produção de móveis (2013), o equivalente a 3,3% do total de trabalhadores alocados na produção industrial.

A indústria moveleira no Brasil tem sua evolução recente atrelada às mudanças que vêm ocorrendo na economia nacional, tendo sido bastante afetada pela abertura comercial promovida pelo governo brasileiro no início da década de 90.

Nessa década, algumas empresas exportadoras investiram muito na compra de novos equipamentos de alta tecnologia, o que renovou o parque de máquinas do setor.

Dentre os principais fatores positivos que marcam o desenvolvimento do setor destacam-se: a abertura da economia e a ampliação do mercado interno, e a introdução de novos consumidores, antes excluídos do mercado. Além disso, o baixo custo da madeira reflorestada representa um fator competitivo importante.

A política de sobrevalorização do câmbio durante os quatro primeiros anos do Plano Real propiciou um expressivo aumento nas importações de diversos produtos, dentre os quais móveis de qualidade superior e preço inferior aos praticados no mercado nacional.

A partir do aumento da concorrência com produtos importados, a indústria moveleira nacional passou a investir fortemente na melhoria de seus processos produtivos, visando a oferecer produtos com uma qualidade superior. Para tanto, contou com a ajuda do governo brasileiro, que reduziu para zero a alíquota para importação de máquinas e equipamentos, e buscou uma melhor forma para enfrentar a concorrência.

Ao mesmo tempo em que reestruturavam seus processos produtivos, algumas das principais empresas que formam o setor moveleiro nacional passaram a investir também na valorização de seus produtos, visando a fortalecer o mobiliário nacional frente à concorrência dos importados.

A preocupação com o treinamento de pessoal e com a qualidade dos produtos vendidos passou a ser compartilhada pelos principais produtores do mercado nacional por meio da ABIMÓVEL. Em 1997, lançaram um programa denominado “Valorização do Mobiliário Nacional”, com a finalidade de alcançar os objetivos da melhoria na qualidade da produção e dos serviços prestados pelo setor.

A desvalorização cambial, promovida pelo governo brasileiro no início de 1999, fez a indústria moveleira atuar com um novo fôlego, aproveitando os resultados obtidos com as mudanças estruturais e operacionais efetuadas no decorrer dos últimos anos para consolidar sua posição no mercado brasileiro, possibilitando competir de maneira mais expressiva no mercado internacional.

Em 2000, com uma taxa de câmbio mais estável e uma recuperação econômica geral, o setor voltou a apresentar um bom crescimento.

Com esse aumento nas exportações, nos últimos anos, a indústria aprimorou sua capacidade de produção e apurou significativamente a qualidade de seus produtos, sem que isso significasse aumento dos lucros na mesma proporção.

A indústria está investindo em modernização da tecnologia e na adaptação de design, visando atender os consumidores de países europeus.

Atualmente, a exportação brasileira caracteriza-se mais como opção de terceirização de mão de obra e venda de matéria-prima para os países economicamente desenvolvidos, onde o design dos móveis é do cliente e não do fornecedor. Essa situação faz com que a produção nacional não tenha um valor agregado significativo, sendo, portanto, remunerada a taxas mais baixas. A agregação de valor faz-se por meio de um design mais evoluído, e esse é um dos objetivos dos investimentos da indústria moveleira no Brasil, bem como, da Eucatex, que está focada na fabricação de produtos de maior valor agregado, adequados tanto ao mercado interno quanto ao mercado externo.